É preciso falar sobre a saúde mental no ambiente de trabalho (parte I de II)

Por Gabriela Ferigato

Em junho de 2018, a programadora Madalyn Parker compartilhou em sua rede social uma conversa entre ela e o CEO da empresa em que trabalha. Poucas horas depois, a postagem no Twitter já ultrapassava trinta mil curtidas. Com o assunto “Onde está Madalyn?”, a jovem enviou um e-mail à equipe dizendo que iria tirar dois dias de folga para focar em sua saúde mental e esperava voltar na próxima semana renovada e 100% pronta para o trabalho. 

“Oi, Madalyn. Eu gostaria de te agradecer pessoalmente por mandar um e-mail como este. Toda vez que você o faz, eu os uso como lembretes da importância de usar dias de folga também para a saúde mental. Eu não acredito que isso não seja uma prática comum em todas as companhias. Você é um exemplo para todos nós, ajudando a cortar o estigma para que seja possível para todos nós darmos 100% no trabalho”, disse o CEO Ben Congleton. 

O teor da resposta chamou atenção justamente pela maneira com que lidou frente à saúde mental – um tema ainda cercado de tabu e estigma dentro e fora das organizações. Especificamente sobre o segundo, nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentam sintomas de ansiedade, do grau mais leve ao incapacitante. 

Segundo a última pesquisa da International Stress Management Association do Brasil (ISMA-BR), organização sem fins lucrativos dedicada ao tema, metade dos profissionais ativos (47%) sofrem de algum nível de depressão, recorrente em 14% dos casos. 

Os transtornos mentais e emocionais são a segunda causa de afastamento do serviço. Nos últimos dez anos, a concessão de auxílio-doença acidentário devido às doenças em questão aumentou em quase em vinte vezes, segundo o Ministério da Previdência Social. Com frequência, essas pessoas ficam mais de cem dias longe de suas funções.

 

 

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